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Eu e o espelho(segunda parte)
Depois de seguidos alguns minutos e mais minutos passo a me importar desconfortavelmente com a veracidade daquela aposta. Seguindo o caminho do banheiro até a cozinha sou friamente acusado por uma voz que sai diretamente da minha culpa que me parece dizer: “- Não tem nenhuma força de vontade pra compromisso algum ,quem dirá pra uma tolice como essa?” Me sirvo de um copo de água e engulo tal ameaça assim como interpreto Inno alla goia. Me abasteço de um copo de café e comemoro a vitória como se estivesse na década de 30 ouvindo Cross Road blues. Sento-me no sofá e, pela primeira vez, me esquivo de algum contato visual comigo mesmo na tela desligada da televisão. Me soa como uma traição ter enxergado tão cedo aquele vulto que parecia ser meu, que ignoro logo que ligo a tevê. Perturba-me desde já um rosto, que já não sei se ainda me pertence, o qual se mostra o tempo todo em qualquer superfície. Apesar do desconforto tudo ainda parece continuar plausível, esse esforço todo me pega pelas mãos e quer me mostrar um misterioso tesouro. Desde pequeno me pegava pensando no fim de certas privações aplicadas, como o fim de um ser humano que fosse isolado da presença de qualquer outro tipo de vida, assim como a de parar de se olhar no espelho, que ainda posso tirar minha dúvida, porém já perdi também a chance de ser criado por uma loba! Hahaha! Todos essas respostas ainda me parecem tão preciosas como respostas para grandes males(que besteira a minha!) e começo cada vez mais a me preocupar com minha aparência enquanto estou sentado neste sofá.
Escrito por Bruno Gallo às 02h29
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Eu e o espelho (Simples e Avante).
Tomo o início deste suposto monólogo utilizando como pretexto o fato de precisar conversar comigo mesmo (como seu eu nunca tivesse feito isso antes!). É ,eu me olho todos os dias no espelho sujo do banheiro e ,logo após observar meu rosto e gesticular tenho comigo o humor daquele dia. Normal não? Pois então, eu sei e você também sabe que a importância desse hábito nos escapa facilmente da percepção. Intriga-me o fato da existência de narcisistas como eu, e digo mais, não creio na existência de um ser humano que não se sinta entorpecido por si mesmo. Cada ato, falho ou não, é uma graça realizada para sua própria exaltação. Poder assistir cada ato nosso, seja a forma qual for, causa uma sensação sublime. O orgulho é sublime, portanto, humildade é obviamente mais um sinônimo de hipocrisia. Ainda após acordar pela manhã perdurei por alguns minutos na cama. Quando a sensação atordoante do sono estava por acabar me permiti levantar e em seguida olhar no espelho. Fiquei alguns instantes de frente àquele “outro eu”, encarando, gesticulando e levantando algumas hipóteses sobre mais essa peça que Deus nos pregou: a necessidade de se olhar no espelho. Dentro de alguns minutos minha criança interior ousa apostar comigo mesmo se conseguiria não me olhar por um ano naquele espelho ou em espelho algum. Logo depois fui eu mesmo quem ousei em tentar fazê-lo, o que tornou bem séria tal aposta. Desde então fixei pelos últimos breves instantes os olhos naquele espelho sujo e velho para poder ter uma ultima impressão minha em um ano. Observei por um longo tempo profundamente meus olhos castanhos claros, levemente puxados, minha pele branca marcada por cavidades de vários anos de espinhas e cravos, minhas sobrancelhas medianas, meus dentes bem organizados e levemente amarelados, alguns sinais de preocupação na testa, os cabelos de tonalidade castanha, uma expressão aparentemente dura e nenhuma barba ou bigode. Esse era o conjunto que por muito tempo não veria. Um rosto de um jovem de 21 anos chamado Simples. (continua)
Escrito por Bruno Gallo às 01h09
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